Fuso 2021
12/1/2021

12/2/2021
20:00
Sessão de cinema

PT / EN

01.12 – 20h30

FUSO 2021 

Sessão / Total running time: 50'

Classificação etária / Age rating: M/12 


 

Sala de Espetáculos

Entrada Livre / Free Entrance


Apresentação:

Esta é a primeira das muitas parcerias que queremos ter com o FUSO – anual de videoarte internacional de Lisboa, em sua 13ª edição, e que desde 2019 se desdobra também no FUSO Insular, com o intuito de suprir uma lacuna existente no panorama artístico do Arquipélago dos Açores no que diz respeito ao conhecimento e à formação na área da imagem em movimento.

Todos os anos o FUSO de Lisboa promove uma competição nacional que encoraja criadores e artistas a desenvolver propostas e a apresentá-las, via open call, atribuindo ao vencedor um prémio de aquisição pela coleção da Fundação EDP/MAAT. Um prémio incentivo é atribuído ao melhor vídeo, na escolha do público, pelo Ar.Co – centro de arte e comunicação visual. Os vídeos selecionados e premiados são reunidos numa sessão dedicada à videoarte portuguesa, que é apresentada em Lisboa e nos Açores e que circula por diversos espaços culturais em Portugal e no estrangeiro.

Fomentar a criação artística, promover novos conteúdos a um público alargado, e divulgar a videoarte portuguesa são os objetivos do FUSO.

 

A Saco Azul e o Maus Hábitos agradecem a presença do festival a abrir as nossas sessões de cinema à mesa neste mês de dezembro.


 


PROGRAMA / Program 


A Videoarte Contemporânea Portuguesa

Sobre uma seleção

Pode-se pensar que neste ano de 2021 haveria um aumento no número de “obras de confinamento” na produção contemporânea da videoarte Portuguesa. No entanto, esta categoria está, à primeira vista, totalmente ausente nas obras que apresentamos neste programa. Numa primeira análise, porque se voltarmos a olhar para eles, se o confinamento não é um assunto, os temas escolhidos muitas vezes estão ligados com a relação com o mundo, com o meio ambiente. São temas que a pandemia covid-19 tornou mais significativas e mais angustiantes do que nunca.

Salvo raras exceções, o humor está totalmente (ou quase) ausente deste panorama subjetivo. A pesquisa puramente formal também, como se o estado do mundo empurrasse os criadores (de todas as gerações, convém lembrar, dos 20 aos 60 anos)  a uma certa urgência, a um certo imediatismo.

É, portanto, a prestar atenção à fabricação de imagens e às vezes à possível reciclagem delas que esses artistas nos convidam. Como disse recentemente a videoartista alemão Hito Steyerl, “já existem tantas imagens que muitas vezes não há necessidade de fazer novas. Muitas das imagens produzidas hoje são desnecessárias. "

Jean-François Chougnet, curador do festival 


The Contemporary Portuguese Video Art

About a selection

One might think that in this year 2021 there would have been an increase in the number of "confinement works". However, this category is, at first glance, totally absent from the proposals. At first glance, because if we look at them again, if confinement is not a subject, the themes chosen are often connected with the relationship with the world, with the environment, themes that the Covid-19 pandemic has made more significant and more distressing than ever.

With rare exceptions, the humour that earned the previous editions some great proposals is absent (or almost) from this subjective panorama that FUSO brings to our fruition. The same applies to the purely formal research, as if the state of the world pushed the creators (of all generations, it should be noted, from the age of 20 to 60) to a certain urgency, to a certain immediacy.

It is, therefore, to pay attention to the manufacture of images and sometimes to the possible recycling of them that these artists invite us. As German video artist Hito Steyerl recently said, "there are already so many images that there is often no need to make new ones. Many of the images produced today are unnecessary.




Bruno Carnide PT - Equinox 3’28’’ 2019

Algures nos subúrbios de Tóquio, sempre que os dias são iguais às noites, o amor perde mais uma batalha.


Realizador: Bruno Carnide

Produção: Bruno Carnide, Cátia Biscaia, Eduardo M Escribano Solera

Texto: Carlos Salavador

Ilustração: Bruno Carnide, Kasun Sameera

Animação, Edição, Efeitos Especiais: Bruno Carnide

Vozes: Kana Sugai, Taca Saunder

Música Original: Miguel Samarão

Som: Bruno Carnide, Miguel Samarão

Design: Marcos Paixão

Tradução: Suhail Yousaff, Jorge Bernardes, Diego Salgado Alves, Telma Bernardes

Agradecimentos: Tiago Carvalho



Somewhere on the outskirts of Tokyo, whenever the days are as long as the nights, love loses yet another battle.


Director: Bruno Carnide

Production: Bruno Carnide, Cátia Biscaia, Eduardo M Escribano Solera

Writer: Carlos Salavador

Illustration: Bruno Carnide, Kasun Sameera

Animation, Editing, VFX: Bruno Carnide

Voices: Kana Sugai, Taca Saunder

Original Music: Miguel Samarão

Sound: Bruno Carnide, Miguel Samarão

Design: Marcos Paixão

Translation: Suhail Yousaff, Jorge Bernardes, Diego Salgado Alves, Telma Bernardes

Thanks: Tiago Carvalho



Cristina Ataíde - Rio Negro 8’14’’ 2020

Realizado, durante a residência artística LABVERDE - Art Immersion Program in the Amazon, em Agosto de 2019, este vídeo resulta de um profundo fascínio pelo momento de encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Entre as fronteiras do visível e do invisível, o filme é uma pequena interpretação de uma experiência inesquecível de um lugar no mundo onde uma floresta está a ser sistematicamente destruída pelo Homem e de um rio, fronteira da Natureza, sempre em constante mutação.


The Video was made during the residency LABVERDE - Art Immersion Program in the Amazon area in August 2019.  Those moving images are the result of a deep fascination for the moment where the waters of the Rio Negro and Solimões Rivers cross. Between the borders of the visible and the invisible, this video is a brief interpretation of an unforgettable experience of a place in the world where the forest is being systematically destroyed by Man,  and a river as the frontier of Nature, always in constant mutation.


Eduardo Brito - La Ermita 4’10’’ 2021

Uma voz interpela o viajante: tu nunca foste a La Ermita, mas eu tenho a certeza que já lá estiveste. Quando? 


Escrito e realizado por Eduardo Brito

Voz: Blanca Martín-Calero

Música: Paulo Furtado (aka The Legendary Tigerman)

Aparições de: Mateo Albergaria, Miguel Albergaria, Blanca Martín-Calero, João Albergaria, Renata Pimenta e Gonçalo Pinto

Cor: Luis Costa

Produção: Bando à Parte


A voice asks the traveller: you've never been to La Ermita, but I am sure you've been there. When?


Directed and written by Eduardo Brito

Voice: Blanca Martín-Calero

Music: Paulo Furtado (aka The Legendary Tigerman)

With: Mateo Albergaria, Miguel Albergaria, Blanca Martín-Calero, João Albergaria, Renata Pimenta e Gonçalo Pinto

Color: Luis Costa

Production: Bando à Parte


Ema Ramos - Sempre achei que fosse uma pessoa de Cidade 1’26’’ 2021

Uma reflexão dos últimos dois anos, a mudança de acabar o secundário, sair da adolescência e da Covid-19.


A reflection of the past two years, the change of finishing High School, stop being a teenager and the Covid-19 pandemic.


Francisco Miguel - Quelimane 4’08’’ 2019

Será a imagem em movimento capaz de nos aproximar de um espaço que desconhecemos? Pode o vídeo funcionar como um meio de transporte? É em Quelimane que Francisco Miguel espelha o seu imaginário, cidade de onde provém a sua família mas cuja nunca teve oportunidade de visitar. Através da simbiose plástica e motora da imagem com o som, Quelimane é uma sinfonia visual que abraça a experimentação e a possibilidade como passo em frente e questiona as fronteiras que o vídeo consegue ultrapassar.


Can video bring us closer to a space that we do not know? Can video making function as a transport? Francisco Miguel explores this question while reflecting about Quelimane - the city where his family comes from but that he never had the opportunity to visit. Through the shared values and possibilities that emerge when video and music come together, Quelimane is a visual symphony that embraces experimentation as a step forward towards the unknown.



Helena Inverno, Verónica Castro e Bouchra Ouizguen - Transhumance 7’14’’ 2019

A partir de um sistema de acção transdisciplinar em corpo nómada, TRANSHUMANCE junta léxicos, co-habita pesquisas, partilha caminhos - formando um ponto de encontro entre três artistas imersas nas suas práticas correntes, onde confluem dança, som e imagem em movimento.

Polinizam-se conteúdos, matérias e sensações; enquanto rio, vento, dunas, e um pássaro e uma pedra, respiram.


Based on a system of transdisciplinary action in a nomadic body, TRANSHUMANCE brings together lexicons, cohabits research and shares paths, forming a meeting point between three artists immersed in their current practices, where dance, sound and moving image converge. Content, materials and sensations are pollinated; while the river, wind, dunes, and a bird and a rock, breathe.


Nuno Nunes-Ferreira - Café Central 3’ 2021

2500 recortes de jornais em 3 minutos.


2500 newspaper clippings in 3 minutes.



Renata Bueno - Coreografia numa Pedreira 1’18’’ 2021

Trabalhadores e máquinas de uma pedreira mudam por instantes sua rotina e junto com a artista desenham no espaço uma coreografia nunca por eles imaginada.


Workers and machines in a marble quarry change their routine for a glance and together with the artist they draw a choreography they never imagined in that space.



Sally Santiago - O caminho ao até 4’48’’ 2020

O vídeo ‘O caminho ao até’ desafia fronteiras humanas contemporâneas no abordar da valorização de processos vividos ao longo da vida—processos que geram aprendizado— em contraste a valorização única dos resultados alcançados, os aprendizados já “digeridos”. Estabelece uma passagem subconsciente entre um viver automático e ansioso para um viver de lentidão e de apreciação no presente.


The video 'O caminho ao até’ challenges contemporary human frontiers in addressing the valuation of processes experienced throughout life—processes that generate learning—in contrast to the unique appreciation of the results achieved, the learning already “digested”. Establishing a subconscious passage between an automatic and anxious living to a living of slowness and appreciation in the present.



Sofia Arriscado e Costanza Givone - Lapso 9’24’’ 2021

“Lapso” é o espaço da dúvida e o tempo no qual as fronteiras que separam o interior e o exterior do corpo entram em queda. Um mergulho onírico na realidade deixa-nos furar o corpo e chegar às camadas mais profundas, onde a intimidade e a partilha deixam as vísceras à mostra e as barreiras à superfície.


“Lapse” is the space of doubt and the time in which the boundaries separating the body's interior and exterior collapse. A dreamlike dive into reality allows us to pierce the body and reach the deepest layers, where intimacy and sharing expose the viscera while pushing the barriers to the surface.



Susana Anágua - The Factory (bad Machines) 2’17’’ 2019

Fronteiras físicas que se tornaram metáforas através de uma imagem de formigas frenéticas em travessia do espaço. Da ordem ao caos, as fronteiras geográficas e humanas são sugeridas neste vídeo pelo movimento das formigas, pequenos insetos trabalhando numa fábrica na hora de ponta. Se alguma formiga circular no sentido contrário ela vai estabelecer a desordem, aumentar o esforço da comunidade e aumentar o valor de Entropia.


Physical borders that became metaphors through an image of frantic ants also crossing space. 

From order to chaos, geographic and human borders are suggested in this video by the movement of ants, small insects working in a factory at rush hour. If any ant moves in the opposite direction it will establish disorder, increase effort community and increase the value of Entropy.



Tânia Dinis - Passagem 7’20’’ 2021

Um filme-ensaio sobre o que fica para lá da memória que se perde, uma memória no corpo, talvez. Pensei nisso no dia em que o meu avô me deixou sozinha com a minha avó e percebi que ela já não me conhecia.


A film-essay on what is beyond the lost memory, a memory in the body, maybe. I thought about it the day my grandfather left me alone with my grandmother and realized that she no longer knew me.




Sobre o curador / About the curatorship

Jean-François Chougnet (França) é director artístico do FUSO, e tem dedicado a sua carreira às políticas culturais. Foi director-geral do Villette, Paris (2001-2006). Em 2005, foi comissário-geral do Ano do Brasil na França. Dirigiu a Fundação Berardo, em Lisboa, de 2007 a 2011. Em 2011, Jean-François Chougnet tornou-se CEO da Marseille-Provence Capital da Cultura Européia 2013. Desde 2014 é presidente do Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée, em Marselha, França.



Jean-François Chougnet (France) is the artistic director of FUSO and has dedicated his career to cultural policies. He was Managing Director of Villette, Paris (2001-2006). In 2005, he was the General Commissioner of the Year of Brazil in France. He directed the Berardo Foundation in Lisbon from 2007 to 2011. In 2011, Jean-François Chougnet became CEO of Marseille-Provence Capital of European Culture 2013. Since 2014 he is the President of the Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée, in Marseille, France.

21.12.01 - Fuso 2021

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